Portugal

[Crónica] João Paulo II a nossa senhora do Sameiro e uma Taça à espera de ser conquistada

O que é que João Paulo II, a nossa Senhora do Sameiro e a Taça de Portugal têm em comum? Na verdade nada, mas ao longo dos quatro dias que passei em Braga comecei a perceber que seria difícil dissociar estes três nomes. De 15 a 18 de Março, a cidade dos arcebispos recebeu a final a oito da prova rainha do basquetebol português, a Taça de Portugal.

Não existiram jogos desequilibrados (exceptuando a meia-final entre SL Benfica e Terceira Basket – fruto das baixas da equipa açoriana) e até mesmo o Esgueira/OLI (única equipa da Proliga em prova) e o Elétrico FC-Tekever (último classificado da LPB) demonstraram todo o seu valor ao venderem bem caro as derrotas na Taça.

O espectáculo foi assegurado ao longo dos quatro dias de competição. Na sexta-feira tivemos o maior clássico do basquetebol nacional, com FC Porto e SL Benfica a proporcionarem um grande espectáculo dentro das quatro linhas. Se muitos pensaram que este jogo era a “final antecipada” não imaginavam, tal como eu, o que vinha aí.

Depois de bater o CAB Madeira SAD por 17 pontos (72-89), o Illiabum voltou a demonstrar o carácter personalizado que tem apresentado ao logo da corrente edição da LPB e o porque de serem uma das seis equipas já com os playoffs assegurados. O conjunto de Ílhavo é o reflexo do seu próprio treinador. Pressionam campo inteiro, são intensos defensivamente, correm no contra-ataque e apresenta uma química de equipa impressionante (seja no meio campo ofensivo ou defensivo).

Jeffrey Early Jr. em acção diante do CAB Madeira SAD. Foto: Sportflash

Nos quartos-de-final senti que os ilhavenses tinham capacidades para chegar à final caso conseguissem por em prática o basquetebol que tanto caracteriza esta equipa. O Galitos era o adversário que se seguia. Com uma boa entrada em jogo e bastante mais concentrados que o Illiabum (na primeira parte do jogo), a equipa de André Martins esteve a pouca (ou quase nenhuma) distância de garantir o passaporte para a final.

Apesar do grande esforço, o Illiabum ressurgiu na 2ª parte para “incendiar” o Complexo Desportivo da Universidade do Minho. Litos Cardoso, jovem base internacional português, demonstrou mais uma vez que quer, pode e consegue assumir um jogo nos minutos finais. 20 anos e um talento enorme para decidir jogos, o chamada clutch gene. Neste caso não se tratava de um jogo qualquer, mas o base deu a possibilidade ao Illiabum de continuar a sonhar com a Final da Taça de Portugal. Após prolongamento o resultava final era de 100-93, os homens de Pedro Nuno Monteiro estavam na final e entre o Illiabum e a Taça “apenas” restava o Benfica.

No domingo, depois de seis jogos, eis que a trindade de João Paulo II, a nossa Senhora do Sameiro e a a conquista da Taça de Portugal começaram a fazer sentido na minha cabeça. As equipas presentes na Final 8 da Taça ficaram todas hospedadas no Monte do Bom Jesus em Braga, local de fantásticas paisagens e com grande propensão para o turismo religioso.

O Illiabum fez do hotel João Paulo II o seu quartel-general. Localizado a cerca de 300 metros do santuário da Nossa Senhora do Sameiro a escolha não podia ter sido melhor. Para além de “abençoado”, o João Paulo II conta com um histórico de vitórias verdadeiramente impressionante. Segundo o staff do hotel, quem lá fica hospedado e joga alguma final (independentemente da competição ou modalidade) acaba por conquistá-la, dê por onde der.

“Quem fica instalado neste hotel não perde finais.”, foram estas as palavras dos recepcionistas do João Paulo II. Não sendo um homem do basquetebol e muito mais apaixonado pelo ciclismo, o Sr. Filipe arriscou um prognóstico ainda mais arrojado – “O Illiabum vence o Benfica por 100-81.”. Ganhar ao Benfica já é difícil, por 19 pontos ainda mais… Depois de minutos de boa conversa e de ficar a conhecer as proezas dos vários hóspedes do João Paulo II, segui para o Complexo Desportivo da Universidade do Minho.

Um dos obreiros desta conquista, Pedro Nuno treinador do Illiabum Clube. Foto: Sportflash

O que aconteceu a partir das 17h00 não é precisar explicar ou descrever. Uma equipa superiorizou-se à outra. O Benfica tentou e não conseguiu, foi um digno vencido. Por sua vez, o Illiabum mostrou que é possível fazer mais com menos. A equipa de Ílhavo nunca esteve a perder ou sequer empatada durante os 40 minutos de jogo. Jeffrey Early Jr. provou que é um dos melhores jogadores a actuar em Portugal e liderou o Illiabum à conquista da LXIX Taça de Portugal.

No final do dia a equipa não chegou aos 100 pontos, mas acabou por levar a Taça para Ílhavo. A previsão do Sr. Filipe pode ter falhado (em parte) mas o mais difícil foi alcançado. O Illiabum conquista a Taça e o João Paulo II continua com o seu histórico de vitórias imaculado. Naquele que é o mês “louco” e surpreendente do basquetebol norte-americano, foi em Portugal que o upset aconteceu.

Venham de lá os playoffs!

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