Portugal

Entrevista – Diogo Gameiro

Desde cedo deu nas vistas no Seixal Futebol Clube e atualmente joga no CAB Madeira, porém aos 24 anos já conta com um vasto palmarés, tendo já conquistado todos os títulos nacionais na vertente sénior ao serviço do SL Benfica, onde completou a segunda parte da sua formação. Foi internacional pelas camadas jovens portuguesas por 62 ocasiões e espreita agora uma chamada à Selecção sénior, após ter cimentado um lugar de destaque na equipa madeirense. Na segunda, de uma série de entrevistas com jogadores da Liga Placard, conversamos com o base Diogo Gameiro sobre o seu início de carreira, a vida na ilha e também sobre as memórias que guarda da Festa do Basquetebol.

Começando pelo princípio da tua carreira, dividiste a tua formação entre o Seixal Futebol Clube e o Benfica. Qual foi a importância que estes dois clubes tiveram no teu crescimento enquanto jogador?

DG: Sem dúvida que ambos tiveram um papel fundamental no meu desenvolvimento enquanto jogador. No Seixal Futebol Clube foi onde tudo começou, onde dei os primeiros passos no basquetebol, onde ganhei o gosto pelo jogo. Joguei no Seixal FC desde os 6 até aos meus 14 anos e é precisamente nessa fase onde se vive o basquete da maneira mais pura e bonita, onde se joga única e exclusivamente pelo prazer, pela diversão, pelos momentos que se passa com os amigos dentro e fora de campo. Um clube que tem o seu nome bem vincado na história do basquetebol nacional (seja pela conquista de diversos títulos, pelos jogadores que formou, etc…), destacava-se pela união entre todos os escalões, treinadores, direção e adeptos. A expressão “amor à camisola” representa na perfeição a mentalidade que se vivia naquele clube, uma verdadeira família. Para além de ter aprendido bastante e evoluído enquanto jogador, durante os anos que lá joguei destaco o espírito de companheirismo, de solidariedade, de dedicação, entre outros valores morais que me foram incutidos numa idade tão jovem e que fazem toda a diferença no futuro. Aos 15 anos recebi o convite do SL Benfica e não tive como não aceitar a proposta. Acabei por estar ligado ao clube durante nove anos e foi das melhores experiências que me podia ter acontecido. Senti que era uma ótima solução para mim ir para um clube onde estava a ser desenvolvido um excelente trabalho a nível de formação, onde eu teria a oportunidade de continuar a minha evolução ao lado de grandes jogadores e treinadores. Foi no SL Benfica que comecei a pensar no basquetebol de uma forma mais séria e onde comecei a traçar objetivos para a minha carreira. A estrutura estava muito bem montada e, aliado às condições fantásticas que o clube proporciona aos atletas, fez com que época após época me tornasse um jogador mais completo e permitiu que sonhasse atingir patamares mais elevados.

Foto: FPB

Durante a tua formação, conquistaste diversos títulos e também cimentaste um lugar nas convocatórias paras selecções nacionais jovens. Quem é que consideras que teve mais impacto no teu desenvolvimento?

DG: Claramente que para ter conquistado os títulos que conquistei, para ter tido o privilégio de representar a selecção nos vários escalões de formação, as pessoas que mais tiveram impacto foram os meus treinadores e os meus colegas de equipa. Pode parecer cliché, mas a verdade é que sem as diferentes aprendizagens que eles me proporcionaram eu não teria conseguido nada do que consegui conquistar até hoje. Sem dúvida que há treinadores/jogadores que nos marcam mais que outros, mas sempre tentei reter algo de útil pelas equipes que passei.

Participaste também em algumas edições das Festas do basquetebol e, já que estamos no mês em que supostamente se iria realizar mais uma edição, que memórias especiais guardas desses tempos?

DG: Sem exagero, eu ansiava desde o início da época pela Festa do Basquetebol – na minha altura era em Portimão… Eram dias únicos e marcavam qualquer jogador que tivesse a possibilidade de estar presente. A primeira edição foi a mais inesquecível, por não ter noção da grandeza do evento e onde tudo era uma novidade. Apesar de terem sido sempre experiências incríveis, tenho pena de nunca ter ganho uma edição, é algo que gostava de ter vivido.

Na época 2016/17 trocaste o Benfica e o continente e partiste na aventura de ir para a Madeira representar o CAB, onde continuas atualmente a jogar. Como é que surgiu esta oportunidade? Como foi a tua adaptação?

DG: Um dos meus sonhos de miúdo era fazer parte do plantel sénior do SL Benfica. Após a minha formação no clube, tive essa oportunidade. Foram duas épocas onde treinava diariamente com os melhores, com alguns ídolos e aprendi bastante. No entanto, não estava a ter muitos minutos de jogo e, em concordância com o clube, decidimos que o melhor seria um empréstimo ao CAB Madeira para ganhar experiência e dar continuidade ao meu crescimento enquanto jogador. Assim foi, nessa época fui para a Madeira, onde viria a ter uma experiência inesquecível. A adaptação foi extremamente fácil, fui recebido muito bem por todos os elementos do clube, e para além disso conhecia alguns jogadores da equipa como o Fábio Lima e o Fred Gentry (que foi na mesma época que eu para a Madeira). Como se não fosse suficiente ter conseguido jogar muitos minutos na Liga e ter assumido um papel importante na equipa, estava numa ilha fantástica, com condições de vida invejáveis. Estavam todas as condições reunidas para que fosse uma época positiva.

Foto: FPB

Conviveste com o Mário Fernandes no Benfica e continuas a partilhar o balneário com ele no CAB Madeira. Sendo o Mário uma das referências portuguesas na tua posição, qual é a influência que ele tem para ti?

DG: Tive a oportunidade de conhecer o Mário ainda quando estava no SL Benfica e posso dizer que teve influência em aspetos diferentes da minha vida, sendo que nesses primeiros dois anos, juntamente com o “menino” Carlos Andrade, teve um impacto mais direto no crescimento pessoal. Tendo em conta a relação próxima que criámos, ele não aguentou a saudade e decidiu juntar-se a mim no CAB Madeira. Enquanto base, não podia pedir mais do que poder partilhar o campo com um dos melhores bases portugueses de sempre, ouvir os conselhos que ele está sempre disposto a dar, presenciar a sua entrega, o seu esforço e ainda a maneira como consegue motivar todos os seus colegas quer nos treinos, quer nos jogos. Tal como já referi anteriormente, foram várias as pessoas que contribuíram para o meu desenvolvimento enquanto jogador, mas na afirmação enquanto base sem dúvida que o Mário foi o que teve influência maior. Acima de tudo, é um bom “miúdo”.

Aos 24 anos, já tens um percurso recheado de diferentes experiências no basquetebol português, onde já conquistaste vários títulos, inclusive o campeonato nacional. Quais são os objetivos que ainda gostavas de cumprir?

DG: Objetivos para cumprir é coisa que não me falta! Felizmente sempre tive inserido em equipas com uma mentalidade vencedora e isso fez com que tenha conquistado vários títulos, o que me deixa extremamente orgulhoso e feliz. No entanto, há muita coisa que quero alcançar ainda, como por exemplo, representar a Seleção Nacional sénior. Num futuro próximo, o meu principal objetivo passa por sair da zona de conforto e ir jogar para o estrangeiro.

Neste momento todos os campeonatos estão parados em Portugal devido à pandemia da Covid-19, o que também impossibilita que haja treinos de equipa. Como é que um atleta de alta competição mantém a forma durante este período?

DG: Penso que nesta altura, onde o confinamento é obrigatório, os atletas devem acima de tudo tentar manter um estilo de vida idêntico ao que têm durante o período normal de competição, estabelecendo rotinas de treino. Obviamente que é muito difícil produzir o esforço que temos durante um jogo ou mesmo durante um treino, mas seja como for, o exercício físico diário e com intensidade é fundamental para que não se perca o ritmo. Devido à impossibilidade de haver treinos em equipa, é uma ótima altura para desenvolver aspetos individuais, quer técnicos quer físicos, como se fosse um off-season alargado. Aliado a isto, a questão da alimentação torna-se crucial nesta fase, onde devemos controlar muito bem o tipo e a quantidade de alimentos que ingerimos, tal como manter bons níveis de hidratação.

Foto: Zé Paulo Silva

Para despedida, pedimos-te para deixares uma mensagem de apoio não só aos nossos leitores, mas a todos os amantes da modalidade, acerca do momento difícil que atravessamos.

DG: É uma situação totalmente inesperada, que nos apanhou a todos de surpresa e que nos obrigou a alterar drasticamente o nosso dia a dia. No entanto, devemos manter o foco no que realmente podemos controlar e aproveitar esta fase para fazer coisas que numa situação normal não teríamos oportunidade de fazer, independentemente do que se trata. Na minha opinião, fazer um horário semanal com tarefas definidas pode ajudar a passar melhor os dias e a não cair numa sensação de desgaste emocional. Também nunca é demais lembrar que é essencial cumprir todas as indicações da Direção Geral de Saúde para que possamos voltar o quanto antes à nossa vida normal e aos pavilhões.

RESPOSTA RÁPIDA:

A Liga Placard está suspensa e mesmo sem sabermos se regressará, ou não, queremos a tua opinião sobre alguns prémios individuais desta temporada. Se fosses tu a decidir, a quem atribuirias os seguintes prémios?

MVP – James Ellisor (SCP)
6.º homem – Fábio Lima (SLB)
Melhor defensor – “Betinho” Gomes (SLB)
Jogador que mais evoluiu – Rafael Lisboa (SLB)
Cinco ideal da Liga – Anthony Ireland (SLB), James Ellisor (SCP), “Betinho” Gomes (SLB), Arvydas Gydra (CAB), Malik Abu (SCP)
Cinco ideal defensivo da Liga – José Silva (SLB), Travante Williams (SCP), João “Betinho” Gomes (SLB), Arnette Hallman (SLB), Malik Abu (SCP)
Rookie do “ano” – Diogo Peixe (FC Barreirense)

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