Opinião

Será que a pior Team USA do séc. XXI chega para ganhar o Mundial?

Por norma, o Campeonato do Mundo da FIBA realiza-se de quatro em quatro anos, no entanto, a presente edição – a 18.ª da história – que se inicia já amanhã, chega um ano depois do previsto. A FIBA quis fugir ao mediatismo provocado pelo Mundial da FIFA de 2018 e optou por adiar aquela que é a mais prestigiada competição da instituição que tutela o basquetebol mundial.

Apesar da calendarização pouco habitual os motivos de interesse são muitos, até porque os favoritos do costume não aparecem tão apetrechados como nas edições anteriores. A mais titulada Seleção do planeta, vulgo “Team USA”, surge limitada no que toca ao talento dos 12 escolhidos por Gregg Popovich que, apesar de levar um plantel “interessante” para Pequim, estará longe daquele que possivelmente vai competir nos Jogos Olímpicos de 2020.

LeBron James, Kawhi Leonard, Stephen Curry, James Harden, Anthony Davis… encabeçam a longa lista de baixas da equipa norte-americana que, ainda assim, continua a ser a principal candidata ao título. Não obstante, raras foram as vezes que vimos os Estados Unidos perder um jogo de basquetebol com jogadores da NBA em campo, o que levanta ainda mais suspeição em torno dos eleitos de Popovich que recentemente sofreram o primeiro desaire depois de 78 vitórias e 13 anos de invencibilidade norte-americana.

Mesmo com Harrison Barnes (Sacramento Kings), Jaylen Brown (Boston Celtics), Joe Harris (Brooklyn Nets), Brook Lopez (Milwaukee Bucks), Khris Middleton (Milwaukee Bucks), Donovan Mitchell (Utah Jazz), Mason Plumlee (Denver Nuggets), Marcus Smart (Boston Celtics), Jayson Tatum (Boston Celtics), Myles Turner (Indiana Pacers), Kemba Walker (Boston Celtics) e o único jogador treinado por Popovich nos San Antonio Spurs, Derrick White, a formação que veste de azul, vermelho e branco apresenta um dos elencos teoricamente mais frágeis do séc. XXI. Ora vejamos.

É óbvio que um conjunto de jogadores desta natureza é candidato ao título, mas não podemos saber se serão capazes de ultrapassar formações mais experientes e igualmente talentosas, sobretudo no contexto internacional.

Apenas Mason Plumlee e Harrison Barnes representaram a Seleção em fases finais. O poste dos Nuggets foi ao Mundial de 2014 e o extremo dos Kings foi aos Jogos Olímpicos do Rio (2016). A experiência internacional não abona a favor dos americanos, embora alguns jogadores tenham representado as Seleções jovens do país, como são os casos do próprio Plumlee e de Jayson Tatum.

Além da parca experiência, os americanos tiveram igualmente pouco tempo para preparar uma equipa para ser campeã mundial. É certo que as outras Seleções tiveram um período semelhante de treino, no entanto, a grande maioria já tem rotinas adquiridas seja de outras provas, da própria qualificação (que no caso americano foi jogado maioritariamente por jogadores da G-League), ou até mesmo pelo núcleo duro que já se conhece dentro (e fora) de campo desde os escalões de formação.

A juntar a isto é imperativo pensar no aumento qualitativo dos adversários que vêm dos quatro cantos do globo. A Austrália que também se pode queixar de algumas ausências – Ben Simmons à cabeça – apresenta um plantel que impõe respeito. A França é a Seleção que mais jogadores da NBA leva à exceção dos americanos, a Espanha apesar de não surgir com a mesma pujança de outros anos sem a presença de um dos naturalizados (Serge Ibaka ou Nikola Mirotic), continua a ser uma eterna candidata ao pódio. A Grécia do MVP Antetokounmpo vai querer regressar aos grandes resultados nos palcos internacionais e terá tudo para o conseguir.

No entanto, entre as possíveis ameaças à hegemonia norte-americana, a mais proeminente será sem sombra de dúvida a que chega dos Balcãs. Mesmo sem Teodosic, a Sérvia acaba por ser o adversário mais completo, com Nikola Jokic a ser o homem em destaque num conjunto que se pauta pela abundância qualitativa, tanto no plano coletivo como no individual. Bogdanovic, Bjelica, Marjanovic, Micic, Jovic, Guduric e Milutinov são alguns dos nomes grande orientados pelo corrosivo Sasha Djordjevic.

O campeão em título da Liga dos Campeões comanda a Sérvia desde 2013, grupo que se mantém estável há alguns anos e que tem neste Mundial a oportunidade perfeita para finalmente conquistar o ouro que tem escapado. «Vamos deixá-los jogar o seu basquetebol, nós jogamos o nosso. Se nos encontrarmos, que Deus os ajude», afirmou Djordjevic no arranque dos preparativos para o certame de Pequim. A confiança pode ser exacerbada (ou não), Deus certamente não vai entrar em campo e vestir a camisola, mas enquanto que na NBA a linha dos três pontos e as dimensões do campo são maiores, em Pequim tudo será bem mais pequeno e complicado de garantir… para os norte-americanos.

Sem arriscar prognósticos e a poucas horas do espetáculo começar, (Angola e Sérvia abrem as hostilidades às 8h30 da manhã), o pouco valorizado Campeonato do Mundo acabou por ser tornar no centro de atenções não pelas estrelas da NBA que estão presentes na comitiva norte-americana, mas sim por aquelas que encabeçam as Seleções dos outros países e que podem – efetivamente – alterar o rumo dos acontecimentos.

Se durante grande parte do ano os esforços passam por nos deitarmos tarde com a responsabilidade de acordarmos cedo, entre 31 de agosto e 15 de setembro a estratégia muda por completo. Um osso duro de roer a menos de dois meses do início da nova época da NBA.

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