O treinador David Blatt, de 60 anos, revelou através de uma carta publicada no site do Olympiacos Piraeus, a sua atual equipa, que está a sofrer de esclerose primária progressiva.
Blatt foi campeão da Euroleague em 2014, ao serviço do Maccabi Tel Aviv, e treinou LeBron James nos Cleveland Cavaliers, onde chegou às finais, na temporada 2014-2015.
“Às vezes a vida atira-te com coisas que não podes explicar. É nestes momentos que entendes que precisas fazer escolhas que te testem como pessoa. Há alguns meses, fui diagnosticado com esclerose múltipla progressiva primária (PPMS).
É uma doença que tem diferentes formas e manifesta-se de diferentes maneiras, atacando o sistema imunológico e consequentemente alterando a qualidade da tua vida e a capacidade de fazeres as coisas mais básicas e simples.
Depois do choque inicial e da dificuldade em aceitar as mudanças que este mal me poderá forçar, decidi que não seria abalado, nem um milímetro. Simplesmente teria que me adaptar para tentar encontrar uma forma de continuar a viver da maneira mais normal possível.
Então voltei à minha filosofia de treino, baseada em três pilares.
1. Qual é o problema?
2. Por que ele apareceu?
3. Como posso resolver isso?
Bem, o problema é o PPMS, que em pessoas da minha idade manifesta-se com fraqueza nas pernas, fadiga e perda de equilíbrio, coisas que me criam muitos problemas. Então comecei uma série de exercícios de ginástica e natação para fortalecer os meus músculos e a sua flexibilidade. Tenho que tentar ser mais ativo para evitar espasmos musculares que podem ocorrer nesses casos.
Em segundo lugar, por que isso aconteceu comigo? Não há explicação. Então não podes fazer nada para além de aceitares a doença e fazer o melhor para a combater. É fácil deixar-se levar pela depressão, é uma luta constante, sem fim, porque não há cura, mas, felizmente não é fatal. É preciso coragem, determinação e força para nunca desistir.
O porquê deve ser esquecido, não há resposta.
Finalmente, como resolver o problema. Trabalhando, fazendo um plano de luta, adaptando-me às novas circunstâncias, aprendendo e que esta doença envolve, e encontrando pessoas para partilhar o problema e que me podem ajudar, sem me esconder.
Gostaria de mostrar aos outros que, mesmo que a minha vida tenha mudado, continuo a ser o mesmo. Quando estou um pouco em baixo, as pessoas à minha volta estão lá para me recordar. Eu não sou do tipo que chora sobre si mesmo, a autopiedade só faz a situação piorar. Não ter a mesma agilidade de antes não limita a minha capacidade de fazer o meu trabalho, as coisas que fiz antes.
Tenho sorte porque tenho uma excelente equipa médica que me segue e uma liderança que aceitou a minha doença e que me ajuda na luta diária. Reclamar é apenas um desperdício de energia, e uma vez que eu peço aos meus jogadores para serem sempre a melhor versão de si mesmos, eu só posso fazer o mesmo comigo.
A minha condição não é uma piada, mas há pessoas que estão numa situação pior do que a minha. Eu tenho que ser um exemplo para todos e continuar a viver a minha vida da melhor maneira possível e não desistir. Não desista.”